2026-01-19 13:32 (JST)
Vamos dar o primeiro passo com o Artigo 1 da Série: O Estado Capturado e o Futuro da Autonomia, onde desmascaramos a ilusão da largada igualitária e mostramos como a falta de saúde e educação transforma a vida do cidadão comum em uma corrida de obstáculos injusta.
Você já ouviu centenas de vezes que “basta trabalhar duro para chegar lá”. Que o sucesso é uma escolha e que o fracasso é fruto da falta de esforço. Essa narrativa tem um nome sedutor: Meritocracia. No papel, ela é linda. Na realidade brasileira, ela é uma das maiores peças de propaganda já criadas para manter o status quo.
A Largada que Ninguém Vê
Imagine uma corrida de 100 metros rasos. No bloco de partida, temos dois competidores:
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O Competidor A: Recebeu alimentação balanceada desde o útero, estudou em escolas bilíngues, teve acesso aos melhores médicos e nunca precisou escolher entre comprar um livro ou pagar o almoço.
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O Competidor B: Cresceu em um ambiente onde a saúde era precária, a escola pública era um depósito de alunos sem infraestrutura e, desde cedo, a sua energia foi gasta na pura sobrevivência.
Dizer que, se o Competidor B perder, foi por “falta de mérito”, não é apenas uma mentira — é uma crueldade.
O Estado como “Muleta” para os Lados Errados
O verdadeiro papel de um Estado que busca a justiça é garantir que a largada seja justa. Isso significa que Saúde e Educação não deveriam ser privilégios de quem pode pagar, mas a base comum de onde todos partem.
No entanto, o que vemos no Brasil é o contrário:
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O Sucateamento Proposital: O Estado falha na educação de base para que a massa não aprenda a questionar os “ralos” por onde o dinheiro foge.
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A Dependência: Em vez de dar autonomia e ferramentas para o cidadão voar, o sistema oferece “puxadinhos” e auxílios que mal garantem a sobrevivência, mantendo a pessoa presa em uma luta diária contra a fome e a doença.
Meritocracia ou “Heritocracia”?
Enquanto o cidadão comum é convencido de que o seu sofrimento é culpa do seu pouco esforço, o topo da pirâmide utiliza o Estado como uma verdadeira escada rolante. Isenções fiscais bilionárias, juros altos que remuneram quem já tem dinheiro e um sistema que não taxa dividendos fazem com que a riqueza no Brasil seja muito mais uma questão de herança e conexões do que de mérito real.
Se o mérito fosse medido por esforço físico e resiliência, o pedreiro e a empregada doméstica seriam os bilionários deste país.
A Conclusão Necessária
Não existe mérito onde não existe equidade. Enquanto não tivermos um investimento massivo em Saúde e Educação de elite para todos, o discurso da meritocracia servirá apenas para que os vencedores da “loteria do nascimento” durmam com a consciência tranquila, acreditando que merecem tudo o que têm, enquanto o resto da população continua correndo uma maratona carregando toneladas nas costas.
O primeiro passo para mudar o sistema é parar de acreditar na mentira de que a pista é igual para todos.
No próximo artigo, vamos seguir o rastro do dinheiro: “O Ralo Fiscal – Para Onde Vai o Seu Dinheiro?“. Vamos descobrir por que você paga tanto imposto e por que quem lucra bilhões paga tão pouco.
Fonte:
M1XAU
Índice da Série
Série: O Estado Capturado e o Futuro da Autonomia

