2026-08-27 01:46 (JST)
O pessoal do Estado zero é fácil de entender.
Eles dizem:
“Tira o Estado de tudo. Deixa o mercado resolver.”
Beleza.
No outro artigo, a gente já fez esse experimento.
- Tiramos o Estado.
- Deixamos propriedade.
- Deixamos dinheiro.
- Deixamos gente rica.
- Deixamos gente pobre.
- Deixamos armas.
- Deixamos empresas.
- Deixamos contratos privados.
E em poucos minutos apareceu o problema:
quem tem mais dinheiro compra mais força, mais segurança, mais terra, mais influência e começa a mandar nos outros.
Você tirou o Estado público.
E criou um Estado privado.
Parabéns.
Agora aparece uma turma um pouco mais esperta.
Eles dizem:
“Não, não, não. Eu não quero Estado zero. Eu quero Estado mínimo.”
Ah.
Tá bom.
Então vamos montar essa porra.
Bem devagar.
- Sem Marx.
- Sem Hayek.
- Sem Rothbard.
- Sem livro de 800 páginas.
- Sem economês.
Vamos montar o Estado mínimo igual criança montando Lego.
E vamos ver até onde essa merda vai.
08:00 — Nasce o Estado mínimo
São oito horas da manhã.
O Brasil acaba de adotar o Estado mínimo.
Você pergunta:
— Vai ter polícia?
O defensor responde:
— Claro.
Ótimo.
Polícia fica.
— Vai ter Justiça?
— Claro.
Ótimo.
Justiça fica.
— Vai ter Exército?
— Claro. Um país precisa se defender.
Perfeito.
Exército fica.
Então temos:
polícia, Justiça e defesa.
O defensor do Estado mínimo sorri.
Pronto.
Acabou.
Só o essencial.
Mercado livre.
Empresas livres.
Pessoas livres.
Estado sem atrapalhar.
Bonito pra caralho.
Vamos esperar cinco minutos.
08:05 — O banco começa a fazer merda
Um banco começa a captar bilhões.
Vende títulos.
Empresta dinheiro.
Compra ativos.
Fundos de aposentadoria colocam dinheiro lá.
Empresas colocam dinheiro lá.
Outros bancos negociam com ele.
Tem bilhões rodando.
Aí começam a aparecer sinais estranhos.
Ativos que ninguém entende.
Operações suspeitas.
Dívida demais.
Risco demais.
Pergunta:
alguém fiscaliza o banco?
— Claro que sim.
Quem?
— O Estado.
Ah.
Então vamos precisar de regulação bancária.
- Banco Central.
- Fiscalização.
- Normas de capital.
- Regras contábeis.
- Auditoria.
- Poder para exigir documento.
- Poder para impedir determinadas operações.
- Poder para intervir se a coisa ficar perigosa.
Pronto.
Já cresceu um pouquinho.
Mas tudo bem.
É só uma exceção.
Continuamos com Estado mínimo.
08:10 — Uma criança toma um remédio
Uma empresa começa a vender um remédio.
Na caixa está escrito:
“Cura sua doença.”
Bonito.
Só tem um problema.
Dentro pode ter qualquer merda.
Pergunta:
a empresa pode simplesmente fabricar o remédio, escrever qualquer coisa na embalagem e vender?
— Não, claro que não.
Por quê?
— Porque pode matar alguém.
Então alguém precisa testar.
Alguém precisa verificar composição.
Alguém precisa inspecionar fábrica.
Alguém precisa exigir estudos.
Alguém precisa retirar produto perigoso do mercado.
Quem?
— O Estado.
Ah.
Então coloca vigilância sanitária também.
Mais uma pecinha.
Estado mínimo continua.
Só estamos colocando o essencial.
08:15 — Três empresas resolvem ficar amigas
Existem três grandes empresas num mercado.
Um belo dia, os três donos tomam café juntos.
Um fala:
— Cara, para que a gente fica brigando por preço?
O outro:
— Verdade.
O terceiro:
— Vamos combinar tudo.
- Preço igual.
- Dividimos território.
- Ninguém invade o mercado do outro.
- Todo mundo lucra mais.
Excelente negócio.
Para eles.
E você?
Vai pagar.
Pergunta:
pode?
— Não.
Por quê?
— Isso é cartel.
Então alguém precisa investigar cartel.
- Precisa ter lei antitruste.
- Precisa analisar concentração.
- Precisa impedir certas fusões.
- Precisa punir combinação de preços.
Quem?
— O Estado.
Ah.
Então coloca agência de concorrência.
Mais uma peça.
A roda ainda está meio quadrada.
Mas vamos indo.
08:20 — O patrão pega uma barra de ferro
Agora você trabalha numa fazenda.
É estrangeiro.
Não fala direito a língua.
Precisa daquele salário.
Talvez dependa daquele emprego até para continuar no país.
Você não entende uma ordem.
O patrão perde a paciência.
Pega uma barra de metal.
Pá.
Bate nas suas costas.
Depois passa a mão na bunda de uma funcionária.
Depois no peito.
- Grita.
- Humilha.
- Ameaça.
Você pergunta:
— Isso pode?
O defensor do Estado mínimo responde:
— Claro que não! Chama a polícia!
Ótimo.
A polícia já estava na lista.
Mas espera.
A polícia só chega depois que o cara bateu?
Pode existir fiscalização do ambiente de trabalho?
— Bom… pode.
Pode haver regra contra assédio?
— Claro.
Pode haver regra de segurança?
— Sim.
Jornada?
— Também.
Condição mínima de trabalho?
— Sim.
Proteção de trabalhador estrangeiro vulnerável?
— Bom… sim.
Quem fiscaliza?
— O Estado.
Ah.
- Então coloca fiscalização trabalhista.
- Direito do trabalho.
- Norma de segurança.
- Mecanismo de denúncia.
- Inspeção.
Mais algumas pecinhas.
Estado mínimo continua vivo.
Só está ficando meio gordinho.
08:25 — Seu carro afunda numa enchente
Agora vamos para uma coisa ainda mais idiota.
Seu carro está alagado.
Você precisa tirar ele dali.
Encontra um anúncio:
GUINCHO — A PARTIR DE ¥2.000
Você liga.
O cara aparece.
Olha o carro.
E fala:
— Vai ficar algumas centenas de milhares de ienes.
Você:
— O quê?
Você resolve cancelar.
Ele responde:
— Tudo bem. Para cancelar são ¥275 mil.
Você fala:
— Vai tomar no cu.
Ele responde:
— Mercado livre, amigo.
Não gostou?
Procura outro.
E existe uma enchente enorme acontecendo.
Milhares de pessoas procurando guincho.
Poucos caminhões disponíveis.
Você precisa resolver aquilo agora.
Então aparece a teoria maravilhosa:
“A concorrência vai corrigir.”
Claro.
Daqui a pouco surge do céu o Guincho Superman Ltda.
O dono aparece com uma cueca vermelha por cima da calça.
Atrás dele vêm vinte caminhões novinhos.
Vinte motoristas contratados.
Seguro feito.
Capital levantado.
Base montada.
Tudo em quinze minutos.
Ele pousa na sua frente:
— Cidadão! Vim salvar o livre mercado!
Não existe isso, cara.
- Empresa leva tempo para nascer.
- Leva capital.
- Equipamento.
- Funcionário.
- Estrutura.
- Licença.
- Financiamento.
A concorrência pode corrigir o preço depois.
Seu carro está debaixo d’água agora.
Então pergunta:
pode anunciar ¥2 mil e depois meter uma cobrança de centenas de milhares?
— Não.
Pode esconder condição?
— Não.
Pode usar vulnerabilidade do consumidor?
— Não.
Então precisa de quê?
- Proteção ao consumidor.
- Regra de publicidade.
- Regra contratual.
- Fiscalização.
Quem?
Estado.
Mais uma peça.
08:30 — A fábrica resolve jogar veneno no rio
Tem uma indústria.
Ela produz muito.
Emprega gente.
Paga imposto.
Tudo lindo.
Só que tratar resíduo custa dinheiro.
Então o dono pensa:
— Se eu jogar essa merda no rio, economizo.
E joga.
O rio passa pela cidade.
- Tem gente bebendo água dali.
- Tem agricultor usando aquela água.
- Tem peixe.
- Tem criança.
Pergunta:
pode?
— Não.
- Então alguém precisa medir contaminação.
- Estabelecer limite.
- Fiscalizar.
- Multar.
- Embargar.
- Obrigar reparação.
Quem?
— Estado.
Ah.
Coloca meio ambiente na lista também.
08:35 — A comida começa a dar problema
Um frigorífico descobre que consegue economizar deixando de fazer alguns controles sanitários.
Outro percebe.
Outro também.
A carne chega mais barata.
Excelente concorrência.
Até começar gente passando mal.
Pergunta:
vamos deixar o mercado corrigir?
Quando cinquenta pessoas morrerem, talvez o consumidor pare de comprar daquela marca.
Maravilhoso.
Só tem um detalhe:
os cinquenta já morreram.
- Então precisamos de inspeção sanitária.
- Rastreabilidade.
- Norma de conservação.
- Controle de temperatura.
- Fiscalização.
Quem?
Estado.
Mais um pedaço.
08:40 — O empresário também toma golpe
Agora vamos parar de fingir que regulação serve só para proteger pobre de empresário.
Você é empresário.
Entrega R$ 500 mil em mercadoria.
O cliente recebe tudo.
Depois fala:
— Não vou pagar.
Você responde:
— Como assim?
Ele:
— Livre mercado.
Vai fazer o quê?
Dar um tiro na cara dele?
Não.
Você vai para a Justiça.
- Contrato.
- Cobrança.
- Execução.
- Penhora.
- Regra comercial.
- Direito societário.
- Falência.
- Recuperação judicial.
Tudo isso precisa existir.
Então o próprio empresário depende do Estado para garantir que o mercado funcione.
O Estado não protege só empregado.
- Protege empresário também.
- Protege consumidor.
- Protege credor.
- Protege devedor dentro das regras.
- Protege propriedade.
- Protege contrato.
Regra justa não escolhe lado.
Ela impede que qualquer lado vire dono do outro.
Cara… você percebeu o que acabou de fazer?
São 08:40.
O Estado mínimo nasceu às 08:00.
Tinha:
- polícia;
- Justiça;
- Exército.
Quarenta minutos depois você adicionou:
- regulação bancária;
- vigilância sanitária;
- antitruste;
- fiscalização trabalhista;
- proteção ao consumidor;
- regulação ambiental;
- inspeção de alimentos;
- direito contratual;
- direito empresarial;
- controle financeiro;
- fiscalização.
E nem chegamos ao almoço.
😂
Então eu pergunto:
onde exatamente começa o Estado grande?
Qual dessas coisas você tira?
Escolhe.
- Banco?
- Remédio?
- Comida?
- Consumidor?
- Cartel?
- Rio?
- Trabalhador?
- Contrato?
- Qual?
E cada vez que você tenta tirar alguma delas, aparece um problema real que fez aquela regra existir.
É assim que o Estado cresceu.
Não apareceu um burocrata maluco dizendo:
— Hoje vou inventar uma agência para encher o saco.
Muitas vezes apareceu primeiro a merda.
Depois veio a regra.
A Roda Quadrada
O Estado mínimo é uma roda quadrada.
Na teoria:
linda.
Simples.
Pequena.
Elegante.
Aí coloca no chão.
TUM.
Bate.
— Porra, precisamos de proteção ao consumidor.
Coloca um pedaço.
Roda mais um pouco.
TUM.
— Precisamos regular banco.
Coloca outro.
TUM.
— Precisamos impedir cartel.
Outro.
TUM.
— Precisamos fiscalizar remédio.
Outro.
TUM.
— Precisamos proteger contrato.
Outro.
TUM.
— Precisamos impedir poluição.
Outro.
Vai colocando.
Vai colocando.
Vai colocando.
Até que um belo dia você olha para a roda.
Ela está praticamente redonda.
Aí aparece alguém e fala:
— Nossa, essa roda está muito grande. Vamos fazer uma roda quadrada.
E começa tudo de novo.
“Mas o mercado se autorregula!”
Essa é talvez a frase mais engraçada.
Sim.
Mercados conseguem se ajustar.
- Preço sobe.
- Oferta reage.
- Concorrente aparece.
- Consumidor muda de fornecedor.
- Empresa ruim quebra.
Isso acontece.
O problema é que o mundo real tem uma coisa chamada:
tempo.
- Seu carro está alagado agora.
- Você precisa do remédio agora.
- Seu salário precisa cair agora.
- O banco pode quebrar amanhã.
- A comida contaminada está no supermercado hoje.
- A menina está apanhando do patrão agora.
Não adianta falar:
— Relaxa, daqui a três anos o mercado encontra um novo equilíbrio.
Porra.
Talvez encontre.
Mas você precisa continuar vivo até lá.
O Estado “atrapalha”
Essa também é ótima.
“O Estado atrapalha as empresas.”
Às vezes atrapalha mesmo.
- Formulário inútil?
- Corta.
- Carimbo que não serve para nada?
- Corta.
- Licença repetida?
- Corta.
- Órgão fazendo o mesmo trabalho de outro?
- Junta.
- Processo que leva três semanas e poderia levar vinte minutos?
- Automatiza.
Isso é administração básica.
Mas agora pergunta:
o Estado está atrapalhando quem?
- O traficante?
- Tomara.
- O golpista?
- Tomara.
- O patrão que bate em funcionária?
- Tomara.
- O banco fraudulento?
- Tomara.
- O cartel?
- Tomara.
- A empresa que vende remédio perigoso?
- Tomara.
- A empresa que esconde cobrança absurda?
Tomara.
Então a frase:
“o Estado atrapalha”
não significa porra nenhuma sozinha.
A pergunta certa é:
O Estado está atrapalhando uma pessoa de produzir ou está atrapalhando uma pessoa de foder outra?
São coisas completamente diferentes.
O Japão e o misterioso “socialismo de direita”
Agora vem a parte engraçada.
Essa turma adora falar:
— Estados Unidos!
— Suíça!
— Noruega!
— Suécia!
Parece que o planeta tem quatro países.
Aí você olha para o Japão.
O Japão é capitalista.
- Tem Toyota.
- Sony.
- Nintendo.
- Mitsubishi.
- SoftBank.
- Bolsa de valores.
- Banco.
- Bilionário.
- Propriedade privada.
- Empresa privada.
- Lucro.
- Mercado.
E quem governou o Japão praticamente todo o pós-guerra?
Centro-direita.
Não foi uma revolução comunista.
Só que o Japão também tem:
- seguro-saúde universal;
- previdência;
- seguro-desemprego;
- assistência social;
- subsídio infantil;
- subsídio agrícola;
- subsídio empresarial;
- política industrial;
- regulação bancária pesada;
- proteção ao consumidor;
- direito trabalhista;
- fiscalização sanitária;
- normas técnicas;
- antitruste;
- apoio estatal a setores estratégicos.
Então cadê o Estado mínimo?
Não tem.
Porque o Japão não ficou discutindo se uma coisa era “de esquerda” ou “de direita”.
A pergunta foi muito mais simples:
funciona?
Precisa?
Então faz.
Está atrapalhando sem motivo?
Então melhora.
Subsídio para pobre é feio. Para empresa ganha nome bonito
Essa é maravilhosa.
O governo dá algumas centenas de reais para uma família pobre.
Aí aparece:
— ASSISTENCIALISMO!
— DEPENDÊNCIA!
— ESTADO SUSTENTANDO VAGABUNDO!
Agora o governo dá bilhões em crédito favorecido para determinado setor.
Aí muda o nome.
Não é mais assistência.
É:
“incentivo à competitividade.”
😂
Empresa recebe benefício fiscal:
“política industrial.”
Agro recebe crédito subsidiado:
“segurança alimentar.”
Empresa estratégica recebe bilhões:
“interesse nacional.”
Talvez esteja tudo certo.
Essa não é a questão.
A questão é:
de onde veio o dinheiro?
Do Estado.
Então não venha me explicar cinco minutos depois que o Estado não deve interferir no mercado.
Você pode defender a interferência.
Pode dizer:
— Cara, alimento é estratégico. Precisamos ajudar o agro.
Perfeito.
Eu posso até concordar.
Mas acabou de admitir o princípio:
existem situações em que o resultado espontâneo do mercado não é suficiente para proteger o interesse coletivo.
Pronto.
E quando o agro quebra?
O agro é livre mercado até quebrar uma cadeia importante.
Aí a conversa muda.
- Empresa quebra.
- Dívida enorme.
- Fornecedor pode quebrar junto.
- Banco está exposto.
- Cidade depende da produção.
- Comida é estratégica.
- Exportação está envolvida.
O Estado olha e fala:
— Caralho.
Não dá simplesmente para dizer:
“Você perdeu. Meritocracia. Morra.”
Porque talvez leve cinquenta empresas junto.
- Então renegocia.
- Cria linha de crédito.
- Subsidia seguro.
- Alonga dívida.
- Coordena.
- Fiscaliza.
Às vezes o setor privado também entra.
- Fundos.
- Bancos.
- Consórcios.
- Concorrentes.
- Compram dívida.
- Reestruturam.
Ótimo.
Mercado funcionando.
Mas quem fica olhando uma operação de bilhões para ver se o sujeito não está criando outro rombo?
Estado.
Porque se a recuperação falhar, talvez agora você não tenha uma empresa quebrada.
Tenha cinco.
O Banco Master e o Estado malvado
Aí aparece um banco movimentando bilhões.
- Tem fundo de previdência envolvido.
- Tem dinheiro de terceiros.
- Tem investigação.
- Tem denúncia.
- Tem Banco Central.
- Polícia.
- Ministério Público.
- Justiça.
E aparece o gênio:
— Olha aí o Estado perseguindo empresário.
😂
Coitado.
O empresário movimenta bilhões de reais de outras pessoas e o Estado teve a ousadia de perguntar:
“Cara, esse dinheiro existe mesmo?”
Que opressão.
Livre mercado sem fiscalização financeira não cria liberdade.
Cria vantagem competitiva para picareta.
Porque empresário honesto apresenta balanço verdadeiro.
O safado inventa.
Se ninguém fiscalizar, quem ganha?
O safado.
Então fiscalização financeira não é inimiga do mercado.
Ela ajuda a fazer o mercado acreditar que os números significam alguma coisa.
Polícia e Justiça? Perfeito. Agora vem a ramificação.
E aqui chegamos ao truque final.
O defensor do Estado mínimo pode falar:
— Seu argumento é idiota. No meu modelo continua tendo polícia e Justiça.
Eu respondo:
Eu sei, porra.
É justamente daí que começa o problema.
- A polícia precisa saber o que é crime.
- Então precisa de lei.
- A Justiça precisa saber qual contrato vale.
- Então precisa de direito contratual.
- Banco precisa obedecer regra.
- Então precisa de regulação financeira.
- Empresa precisa competir sem cartel.
- Então precisa de antitruste.
- Medicamento precisa ser seguro.
- Então precisa de vigilância sanitária.
- Trabalhador precisa ter integridade física protegida.
- Então precisa de legislação trabalhista e fiscalização.
- Consumidor precisa saber o preço real.
- Então precisa de proteção ao consumidor.
- Empresa precisa saber que também não vai tomar golpe.
- Então precisa de Justiça comercial eficiente.
E cada coisa que você mantém cria ramificações.
Porque sociedade é assim.
Tudo está ligado a tudo.
Não existe botão:
“manter só o necessário.”
Porque a pergunta continua:
necessário para quê?
Então qual é a solução?
Não é Estado infinito.
Também não é Estado mínimo por religião.
É muito mais simples:
- Estado onde precisa.
- Mercado onde funciona.
- Regra onde existe risco de abuso.
- Liberdade onde a regra só está enchendo o saco.
- Fiscalização onde o prejuízo de um pode atingir milhões.
- Burocracia mínima.
- Capacidade máxima.
- Empresa livre para competir.
- Trabalhador livre para trabalhar.
- Consumidor livre para comprar.
- Empresário livre para investir.
- Mas nenhum deles livre para transformar o outro em otário.
O jogo precisa de regra
Quer a versão mais simples possível?
Futebol tem regra.
Isso significa que o jogador não é livre?
Claro que é.
- Ele corre.
- Dribla.
- Passa.
- Chuta.
- Cria estratégia.
- Compete.
Só não pode pegar uma faca e esfaquear o zagueiro porque está perdendo.
O juiz não existe para escolher quem vai ganhar.
Existe para impedir que o jogo vire pancadaria.
Mercado é igual.
O Estado não precisa escolher qual empresa vai vencer.
Mas precisa impedir que uma empresa entre em campo com uma faca.
Agora termina você
Não precisa acreditar em mim.
Responde.
- Seu banco precisa ser fiscalizado?
- Sim ou não?
- Seu remédio precisa ter controle?
- Sim ou não?
- Sua comida precisa ser inspecionada?
- Sim ou não?
- Cartel deve ser permitido?
- Sim ou não?
- Propaganda enganosa deve ser permitida?
- Sim ou não?
- Patrão pode bater no empregado?
- Sim ou não?
- Empresa pode despejar veneno no rio?
- Sim ou não?
- Contrato precisa ser protegido?
- Sim ou não?
- Consumidor pode dar golpe na empresa?
- Sim ou não?
- Empresa pode dar golpe no consumidor?
- Sim ou não?
Se você respondeu que precisa de regra, fiscalização e autoridade para praticamente tudo isso, perfeito.
Agora continue colocando na lista todas as coisas que você mesmo acabou de pedir.
Quando terminar:
me mostra onde ficou o seu Estado mínimo.
Porque talvez você descubra uma coisa engraçada.
Você passou horas tentando fugir do Estado regulatório.
E terminou reconstruindo a porra toda.
Só deu outro nome.
Parabéns.
Você finalmente conseguiu fazer a roda quadrada ficar redonda.

