2026-01-19 13:57 (JST)
Chegamos ao ponto culminante da nossa Série: O Estado Capturado e o Futuro da Autonomia!
O Artigo 6 não é apenas uma previsão, mas uma necessidade lógica imposta pelas transformações que discutimos. Ele propõe a Renda Básica Universal como a única saída sustentável para a humanidade no futuro da automação.
Nossa jornada pelos ralos do sistema e o poder da tecnologia nos trouxe a uma conclusão inquestionável: o futuro do trabalho, tal como o conhecemos, está com os dias contados. Máquinas produzem, IAs criam, e a velha máxima de “trabalhe para viver” se torna um paradoxo. O que acontecerá quando não houver trabalho suficiente para todos? A resposta não é um luxo, mas uma necessidade pragmática: Renda Básica Universal (RBU).
O Paradoxo do Consumo: Robôs não Compram Sapatos
Esta é a pergunta fundamental que derruba a lógica do sistema atual:
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Se robôs nas fábricas substituem milhões de operários, e IAs nos escritórios substituem milhões de funcionários (como vimos no Artigo 5), quem vai ter dinheiro para comprar o que as máquinas produzem?
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Um robô não paga aluguel, não vai ao shopping, não compra um carro. Sem consumidores com poder de compra, a economia entra em colapso. O lucro que a elite acumula será inútil, pois não haverá mercado para escoar os produtos.
A RBU não é uma “caridade”; é o sistema circulatório que o capitalismo precisará para sobreviver. É a garantia de que as pessoas terão o mínimo para consumir e manter a roda da economia girando.
A Nova Base Tributária: Lucro das Máquinas e do Capital
Lembra-se de como o Brasil não taxa dividendos (Artigo 2)? Isso terá que mudar drasticamente. Se o trabalho humano deixa de ser a principal fonte de arrecadação do Estado (porque há menos empregos e salários), a única saída é tributar a riqueza gerada pela automação e pelo capital.
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Impostos sobre lucros de máquinas, sobre transações financeiras e sobre grandes fortunas se tornarão essenciais. O “ralo fiscal” terá que ser fechado para que o Estado tenha recursos para prover a RBU.
Da “Sobrevivência” à “Criação”: A Dignidade Humana
A RBU não é um incentivo à preguiça, como a propaganda dirá. Ela é, na verdade, a libertação da humanidade da escravidão do trabalho repetitivo e sem sentido.
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Com suas necessidades básicas garantidas (e o Estado finalmente investindo em Saúde e Educação de qualidade, como defendemos no Artigo 1), as pessoas teriam a autonomia para buscar seu verdadeiro propósito.
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A RBU permitiria o florescimento da arte, da ciência, da inovação e de serviços humanos que as máquinas jamais conseguirão replicar (cuidado, empatia, criatividade genuína). A “meritocracia” finalmente poderia ser sobre quem cria e contribui com paixão, e não sobre quem consegue sobreviver na “corrida de obstáculos”.
Conclusão: O Caminho Inevitável
O futuro não será sobre ter um emprego, mas sobre ter dignidade. O Brasil, com seu sistema de “muleta para ricos”, está numa rota de colisão. Ou o Estado se transforma para ser a base sólida de todos, fechando os ralos e garantindo a Renda Básica Universal, ou a automação criará uma massa de excluídos sem precedentes, condenando o próprio sistema econômico ao colapso.
A tecnologia nos deu a capacidade de produzir tudo o que precisamos. Agora, o desafio é distribuir essa abundância de forma que ela sirva a todos, e não apenas a uma elite.
Com isso, encerramos a série “O Estado Capturado e o Futuro da Autonomia”. Espero que esta jornada didática pelos pilares que discutimos seja uma ferramenta poderosa para você informar e conscientizar.
Fonte:
M1XAU
Índice da Série
Série: O Estado Capturado e o Futuro da Autonomia

