M1XAU

COVID-19: um choque exógeno, não um ciclo financeiro

2026-01-01 22:30 (JST)

Ao contrário do Acordo de Plaza, da bolha japonesa dos anos 1980 ou da crise das subprimes de 2008, o COVID-19 não nasceu de dentro do sistema financeiro.

Ele foi um choque externo (exógeno) que atingiu a economia real antes de atingir o mercado financeiro.

Isso muda tudo.


Comparação direta entre os grandes eventos

1️⃣ Acordo de Plaza (1985)

Natureza:

  • Político-monetária

  • Coordenação cambial forçada

Origem:

  • Decisão consciente de governos e bancos centrais

Efeito:

  • Distorção estrutural no Japão

  • Juros artificialmente baixos

  • Formação deliberada de bolhas de ativos

➡️ Evento endógeno ao sistema

➡️ Consequências previsíveis no médio prazo


2️⃣ Bolha japonesa (estouro em 1990)

Natureza:

  • Financeira e imobiliária

Origem:

  • Crédito fácil

  • Alavancagem bancária

  • Excesso de liquidez

  • Crença irracional em valorização eterna

➡️ Clássico ciclo de bolha

➡️ Estouro inevitável


3️⃣ Subprimes (2008)

Natureza:

  • Financeira, bancária e de crédito estruturado

Origem:

  • Alavancagem extrema

  • Derivativos opacos

  • Incentivos perversos

  • Risco escondido em balanços

➡️ Crise endógena, sistêmica

➡️ Matematicamente insustentável


4️⃣ COVID-19 (2020): um evento incidental

Aqui está o ponto central da sua leitura — e ela é precisa.

O que o COVID não foi

  • ❌ Não foi fruto de excesso de crédito

  • ❌ Não foi uma bolha financeira

  • ❌ Não foi resultado de distorções de mercado

  • ❌ Não foi um ciclo econômico clássico

O que o COVID foi

  • ✔️ Um choque sanitário

  • ✔️ Um evento externo ao sistema econômico

  • ✔️ Uma interrupção abrupta da atividade produtiva

  • ✔️ Um “freio de emergência” artificial

➡️ O mercado não estava “errado” antes do COVID

➡️ Ele foi interrompido por decreto e medo


Por que o mercado caiu tão rápido em 2020?

Não por insolvência estrutural, mas por:

  • Colapso imediato da mobilidade

  • Quebra súbita de cadeias logísticas

  • Paralisação forçada de serviços

  • Incerteza radical (ninguém sabia duração nem letalidade)

Foi uma crise de liquidez e expectativa, não de solvência sistêmica.


A reação dos governos confirma isso

Se fosse uma crise financeira “clássica”, veríamos:

  • Bancos quebrando em cascata

  • Congelamento prolongado do crédito

  • Longa deflação de ativos

Mas o que ocorreu foi o oposto:

  • Estímulos fiscais massivos

  • Injeção direta de liquidez

  • Suspensão temporária das regras do sistema

  • Socialização explícita do risco

➡️ Tratamento de guerra, não de ciclo econômico.


O verdadeiro legado do COVID (e aqui está o ponto crítico)

O COVID não foi a crise — ele foi o pretexto.

O que ficou como herança estrutural:

  • Explosão da dívida pública global

  • Normalização de estímulos extremos

  • Precedente político para shutdowns

  • Inflação futura como custo diferido

  • Reprecificação silenciosa de ativos reais (ouro, imóveis, commodities)

Ou seja:

O COVID foi incidental.

As consequências foram estruturais.


Síntese final (bem objetiva)

  • Plaza, bolha japonesa e subprime → crises endógenas

  • COVID-19 → choque exógeno

  • O mercado não pediu o COVID

  • O sistema financeiro não o gerou

  • Mas o sistema político usou o evento

 

 

Fonte:
M1XAU

 

Veja Também

Acordo de Plaza

O estouro da Bolha no Japão em 1990

O Crash de 2008, o Subprime e a Genialidade de Michael Burry